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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Moinho das Doze Pedras, Figueira da Foz


Construído em 1778, com as suas moendas e engenhos, armazém de grão e farinha, é um testemunho raro da utilização da energia das marés para movimentação das suas mós. Diz-se ser o único conhecido na Península Ibérica, com 12 pedras. [fonte]


O seu funcionamento é explicado por esta infografia:

 [fonte]

Já nada existe no seu interior e grande parte das abóbadas inferiores desabou. A cobertura foi colocada em 1989, com vista à musealização do espaço.


No brasão da Freguesia de Alqueidão 12 mós remetem-nos para este monumento:


Este moinho encontra-se nos arrozais do Mondego. Perto, casas de apoio à atividade local:



Esta poderia ser uma cena do Apocalipse Now:


Mas ao invés de napalm trata-se de palha de colheitas anteriores a ser queimada.


Existe também uma ave (que não sei qual é) a povoar as árvores da região.



sábado, 17 de setembro de 2016

Marialva, distrito da Guarda

Marialva é a primeira Aldeia Histórica que visitei (ficam longe) e divide-se em três núcleos - Devesa, Arrabalde e intra-muros.

A zona da Devesa fica no sopé do monte e é a mais recente. Esta é uma construção típica do concelho de Mêda:


O Arrabalde é mais antigo - fica abaixo da muralha que circunda o primitivo povoado:

 

Em 1527/32 viviam 73 morados no Arrabalde e 68 intra-muros, enquanto em 1732 eram 76 fora e 32 dentro. Nesta altura era alcaide mor o Marquês de Távora, o que se revelou desagradável já que depois da sua condenação o castelo caiu em ruínas e o espaço intra-muros foi completamente abandonado, sendo utilizado no século XX já só para espaços públicos - duas igrejas, cemitério e escola primária (na antiga câmara, que foi sede de concelho até 1855). [fonte]

O espaço intra-muros está hoje todo destruído, tirando algumas reconstruções que para bom entendedor meia parede basta.




A Torre de Menagem foi reconstruída pelo Estado Novo em 1942, e comparando com uma foto que vá se lá saber como a Lídia tirou exatamente do mesmo sítio de uma anterior (e ela não tirou assim tantas) podemos ver como são insondáveis os critérios dos restauradores:



E as ameias amigos, onde as meteram?

Há uma outra particularidade que podemos ver nesta foto, que é a aldeia estar cheia de oliveiras, plantadas pelos habitantes nas casas dos antepassados (sem conotação histórica, só mesmo pelo azeite).

Outra espécie que encontrámos dentro do recinto fortificado de Marialva foi a figueira-do-inferno, que chamou à Lídia os seus instintos básicos de agricultora e se pôs desfreadamente a colhê-la para travar a sua disseminação.


A melhor forma de ter experiências etnográficas nos lugares que visito continua a ser trazer sempre toda uma etnografada na mala do Nissan.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Forte da Consolação, concelho de Peniche

Ando muito caseiro. Desta vez fui ao Forte da Consolação com o meu tio e a minha prima.


O Forte da Praia da Consolação, situado na Atouguia da Baleia, foi mandado edificar em 1641 por D. Jerónimo de Ataíde, Conde de Atouguia e senhor de Peniche. 


A edificação desta fortificação tinha como objectivo reforçar a defesa da enseada de Peniche, cruzando fogo com a fortaleza da vila. Na realidade, a sua construção inseria-se numa estratégia desenvolvida em toda a linha costeira do Reino, que visava a substituição da "(...) barragem de fogo das fortalezas por uma sucessão de pequenos pontos fortificados, segundo um princípio de mobilidade táctica (...)"



As obras de construção da fortaleza foram terminadas em 1645, mas poucos anos depois, em 1665, a estrutura da plataforma terá sido ampliada.. Cerca de cem anos depois, em 1755, o grande terramoto que assolou o país destruiu parte da bateria que estava voltada ao mar. 



Em 1947, já desactivado das suas funções militares, o Forte da Praia da Consolação foi ocupado por uma colónia de férias, e em 1974 foi instalada no local a sede da Associação Recreativa Forte Clube da Consolação.



Em 2003 a arriba onde assenta a fortificação estava assim:




Em 2012, já sem a muralha à vista:


Felizmente em 2014 houve uma grande intervenção na arriba, sendo colocadas estacas metálicas:


Que depois foram cobertas com cimento:


No meio disto o forte foi transformado num estaleiro. Houve duas sequelas - a fundação da grua obrigou a escavar um buraco no meio da antiga praça do forte:


E o acesso à arriba fez-se pelo antigo fosso militar:


Isto foi feito sem acompanhamento arqueológico, o que é uma pena. De qualquer forma, sem esta obra o forte não ia durar muito mais tempo, por isso o balanço é positivo.

sábado, 4 de junho de 2016

Quinta da Boiça, concelho de Penela

O solar da Quinta da Bouça é um imponente palacete setecentista, com uma fachada de dois pisos com torrões nos extremos, situado 3 ou 4 kms a nascente da vila de Penela. 


A casa foi alterada ao longo da sua história, pois a escadaria exterior de acesso que hoje existe, ao centro da fachada, não é da construção inicial. Como observou Nogueira Gonçalves a porta original (no piso térreo) “ligava-se à sacada média, formando conjunto”. 


De acordo com uma tese de doutoramento recente, de Ana Isabel Sampaio Ribeiro (FLUC, 2012), a quinta pertenceu à família Garrido, tendo o solar sido edificado por iniciativa de Pedro Álvares Garrido, pouco antes de falecer, em 1740.


No interior destaca-se a belíssima sala de jantar, de planta oitavada e teto piramidal em estuque, com passa-pratos de madeira em dois dos ângulos. 


Atrás da casa, com acesso independente desde o exterior, existe a capela, dotada de uma tribuna donde os proprietários podiam assistir às celebrações.


A casa encontra-se atualmente em adiantado estado de degradação - praticamente irreparável caso não seja intervencionada rapidamente. 


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Arregaça, Coimbra

Desta vez partimos à procura da fonte do Castanheiro numa zona de Coimbra que ainda mantém bastante ruralidade, apesar de estar rodeada por áreas urbanas. A Fonte do Castanheiro em particular está ligada à Noite de São João:
E vai-se depois até à Fonte do Castanheiro, hoje completamente ao abandono, no arrabalde da Arregaça. Era lá que todas as fogueiras se juntavam no final da folia. E ninguém mais se deitava antes que o sol raiasse, fazendo jus à expressão “noite de S. João”. Nas Memórias do Mata Carochas, conta-se que, ali chegados, todos faziam libações e abluções e os rapazes arrancavam canas bravas, davam-nas às raparigas e voltava-se no mesmo entusiasmo, em procissão da Cana Verde. [fonte]


Na Arregaça havia várias quintas: da Saudade, da Horta, de D. João... Nestas imagens vemos a evolução da zona:




No nosso passeio começámos abaixo do canto inferior direito, percorremos a linha do comboio até ao canto inferior esquerdo, descemos novamente e voltámos ao ponto de partida. Começámos pela Quinta da Saudade:



A Quinta de D. João foi bastante urbanizada, mas ainda vemos alguns resquícios do passado, como esta capela:



Apesar de hoje ficar no centro de Coimbra, antigamente esta zona era periférica. Segundo o livro A Vida Económica e Social de Coimbra de 1537 a 1640
 Os produtos hortícolas cultivam-se na própria cidade e arredores. As hortas da Arregaça, na continuação das quintas da Alegria, e as de Coselhas «que produzem muita hortaliça e dão muitos rendimentos». [fonte]

Acesso à Quinta das Hortas:


Na antiga mata, junto à Rua da Fonte do Castanheiro, existiu uma mina e uma fonte, que foi muito procurada pela qualidade das suas águas. As águas da fonte ficaram imprórias para consumo após a urbanização da zona envolvente a partir dos anos 1960 (bairro Marechal Carmona/actual Norton de Matos, etc) e a subsequente contaminação por esgotos domésticos da antiga Vala Real da Arregaça que atravessa a quinta.Com o incremento da urbanização na envolvente e do consequente aumento da impermeabilização dos solos e, especialmente, devido à incúria das autoridades competentes (Câmara Municipal, Direcção de Hidráulica, etc) a antiga Vala Real continuou até aos anos 1990 como colector de esgotos domésticos, a céu aberto, com caudais muito aumentados em enxurrada, alagando todo o vale com águas sujas. Os terrenos deixaram de poder ser agricultados. [fonte]

A Sociedade de Porcelanas de Coimbra laborou de 1922 a 2005. Ao contrário de outras fábricas abandonadas que visitei, ainda conserva grande parte das estruturas metálicas (por ser mais central e mais sujeita a denúncias?):







Por fim, encontrámos a Fonte do Castanheiro:


Ainda tínhamos uma hora para passear, pelo que me pus a guiar sem nenhuma direção, e acabámos por descobrir a Mata de Vale de Canas, da qual tirei esta fotografia de Coimbra:


A Arregaça é a zona verde mesmo no centro da imagem. Um local que passa despercebido mas com muitas histórias para contar.