sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ponte sobre o rio Anços, Redinha

Na Redinha fica também esta ponte românica:




Há duas azenhas (já desativadas) nas redondezas:




E houve tempo para ultrapassar os medos mais profundos:



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Castelo da Redinha

O Castelo da Redinha é dos monumentos mais sub-aproveitados que já visitei. O que hoje em dia é acessível (com alguma escalada à mistura) será uma pequena parte de tudo o que este edifício deve esconder.


Começando a contorná-lo, vemos os vestígios de antigas salas abobadadas.



O prédio parece ser o resultado de uma obra de reconstrução inacabada, pois o seu interior está vazio e há materiais de construção espalhados.


Algumas portas emparedadas:


Uma sala é atravessada por um grosso muro:



As salas abobadadas estão a desabar:



Há apenas dois sites que o referem, o já citado roteiro do concelho de Pombal, e este blog sobre os Templários, com este texto:

Segundo as velhas crónicas árabes, o hoje desaparecido castelo Templário da Redinha teria sido construído nos finais do século X por Ibn Al-Kader a partir de antigas estruturas romanas situadas sobre uma curva rochosa do actual rio Anços.
Mencionam as ditas crónicas "...o castelo de Al-Dulab, construído todo em taipa militar excepto as partes do lado do rio, que já ali estavam e eram da mesma pedra da ponte dos antigos romi, situada mais abaixo".

Os Templários Portugueses receberam esta estrutura militar em bom estado de conservação, tendo-lhe acrescentado uma torre de menagem, construída sobre uma antiga cisterna (ou tanque, dependendo da tradução) e para a qual utilizaram materiais das antigas ruínas romanas.

Mais tarde construíram uma cerca que se prolongava para Sul das portas do castelo. Esta cerca acolheu a primeira população da Redinha, cujas habitações eram inicialmente constituídas apenas por tendas.
Porque as antigas muralhas de taipa árabe ameaçavam ruína, foram demolidas e usadas para aterros, tendo a pedraria restante sido usada nos edifícios da vila e em muros divisórios e de retenção de terras..

Foi nessa altura que se construiu a Casa da Comenda que ficava encostada à cerca, junto à Porta da Azenha.

Em 1988 os proprietários tentaram classificar o imóvel, mas o processo não foi aprovado. Hoje em dia o prédio está à venda, à espera que os vestígios das suas antigas salas, do castelo e da construção feita pelos romanos seja estudado e exposto. Em alternativa, espera-o dar lugar a um bloco de apartamentos.


Atualização: Em correspondência com os autores do blog dos Templários, tive a resposta para a minha dúvida se a imagem do castelo que ilustrava o post deles correspondia ao da Redinha:

Saudações José
Gratos pelo seu contacto.

A imagem é um esboço fiel da descrição datada do século XIII do castelo de Redinha, contida nos antigos "livros de guerra" da Ordem.
Para além do que foi editado no blogue nada mais nos é permitido divulgar.

Abraço fraterno.
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Templários Portugueses


domingo, 1 de novembro de 2015

Capela dos Malhos, Pombal

Segue-se o primeiro dos monumentos que escolhemos visitar este domingo com base neste interessante roteiro do património arquitetónico do concelho de Pombal, a Capela dos Malhos.




 

Nas fotos que encontrei neste site, publicadas em 2009, podemos ainda ver a fachada da igreja, na qual um lintel tinha inscrita a data "1633":



Entretanto a parede ruiu e o lintel encontra-se partido ao meio junto com as outras pedras:


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Ovar

 Pormenores do centro da cidade:





No Furadouro um prédio aproveitou a fachada de duas casas típicas:


E em Válega destaca-se esta igreja coberta de coloridos azulejos: 



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Castelo do Germanelo

[fonte]

Um post sobre este local não lhe faz justiça, porque ele merece é ser visitado. Do castelo pouco mais resta do que um pano de muralha, e mesmo esse foi construído pelo historiador de Penela Salvador Dias Arnaut, que comprou o castelo no século XX.


 


 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra


Mais uma vez, vou citar um trabalho de quem está melhor informado, desta vez um artigo da autoria de Artur Côrte-Real, coordenador da intervenção arqueológica que pôs a descoberto o claustro deste monumento.

D. Isabel de Aragão decidiu fazer ressurgir o extinto Mosteiro de Dona Mór, obtendo, em 1314, autorização do papa Clemente V para a fundação de um mosteiro da Ordem de Santa Clara em Coimbra. A nova igreja do mosteiro foi concluída, possivelmente, em 1330, ano em que o bispo de Coimbra, D. Raimundo, procedeu à sua sagração. Segundo António de Vasconcelos, foi a partir desta data que se iniciou a construção do claustro principal, sendo conhecido que as obras eram já dirigidas pelo arquitecto Estêvão Domingues. 


Por esta altura teve início a dramática repercussão da escolha do local de implantação do mosteiro. Situado na margem esquerda do rio Mondego e assente, no dizer do mesmo autor, quando muito a 3 metros  acima da estiagem do Mondego, o mosteiro ficou desde logo à mercê das invasões das águas do rio. O que veio, de facto, a acontecer, inicialmente de forma cíclica mas depressa de forma progressiva e constante, em consequência do rápido processo de assoreamento do rio. 
Efectivamente, logo em 1331, a água penetrou na igreja devido a uma cheia de enormes proporções, de tal forma que chegou a cobrir o túmulo de grande lavor que D. Isabel havia mandado fazer para si e colocar na nave central da igreja. Para salvaguardar o seu mausoléu, e devido ao embaraço que este provocava no reduzido espaço público da igreja, a rainha ordenou a construção de uma capela superior, quase à altura das janelas, onde mandou colocar o seu túmulo e o de sua neta, a infanta D. Isabel. 

No século XV as inundações das áreas monásticas eram já muito frequentes. O rio ia-se assenhoreando do edifício, trazendo consigo a decadência das condições de salubridade e o aumento das doenças9 . No final do século XVI, o mosteiro estava já inabitável.

As dramáticas condições de vida no mosteiro conduziram à intervenção do bispo-conde D. Afonso de Castelo Branco que, entre 1612 e 1615, dotou a igreja de um pavimento intermédio no prolongamento da capela funerária. O bispo transformou a nova capela sepulcral com a construção de um duplo arco de cantaria destinado a albergar o túmulo de prata e cristal que havia mandado fazer para a rainha. [fonte]

Em 1666, Frei Manoel da Esperança dá conta do estado do mosteiro:

Conforme a estas plantas eraõ os mais edifícios, & oficinas da casa: todos grandes, suntuosos, & perfeitos (…) Porèm a nossa desgraça, que alterou a soberba do sobredito Mondego pera sepultar entre as suas arèas os mesmos campos, que se deixavão rasgar pêra ela ter passagem, o fez tãbem atrevido na fea destruição deste insigne mosteiro santificado por muitas servas de Deos, & mais em particular por esta S. Rainha. Corta por certo a alma ver taõ grande perdição; porque de alguas oficinas não ha mais que o seu rastro, & quasi todo desfeito pelas enchentes do rio. Outras jazem entulhadas com o lodo, sem se poder usar dellas. O claustro he hua cisterna viva, que nem no verão se seca. De maneira, que os baixos desta grandiosa machina, ou já perderão o ser, ou estão desfigurados, ou convertidos em charcos. Pelo que foi necessário levantar em muitas partes sobre as casas antigas outro mosteiro mais alto, & passar as capelas, & ermidas pêra a cabeça do claustro, onde estão coroando, a pezar deste tristíssimo pego, o monte da Santidade. A respeito destes danos, os quaes hoje são maiores, quis Elrei D. Manoel tirar d’aqui o mosteiro em virtude de hua bula do Papa Julio II; & se as Freiras então, por não saírem deste lugar tão sagrado, resistirão à mudança: agora, que se vem mais apertadas, aceitão com muito gosto, & grandes ventajens suas (…) [fonte]

A luta das Clarissas contra a água no velho mosteiro foi-se tornando insuficiente face às calamidades provocadas pelo rio. Foi no sentido de pôr fim a tão tortuosa batalha que o rei D. João IV ordenou, em 1647, a construção de um novo mosteiro no sobranceiro Monte da Esperança. Para esse novo espaço monástico foram transferidas as religiosas em 1677, vendo-se finalmente compelidas a abandonar o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, como desde então passou a ser conhecido. A igreja permaneceu ainda por algum tempo aberta ao culto, tendo posteriormente sido desactivada das suas funções religiosas, em data incerta.

Possivelmente contemporâneas da construção do piso superior, é a destruição das primitivas janelas góticas e a construção de barrocas no seu lugar, e a conversão do óculo traseiro na porta principal da igreja.


O primitivo mosteiro, que passou, a partir de então, a ser designado de Santa Clara-a-Velha, entrou num progressivo processo de destruição e abandono, tendo no século XVIII, a Câmara de Coimbra deliberado que, por razões de saúde pública, fosse demolido o remanescente das construções monásticas arruinadas. A igreja que pela sua solidez havia resistido às investidas arrasadoras das cheias, voltou a aguentar as medidas de demolição decretadas pela autarquia. [fonte]

Contrariamente à generalidade dos conventos, demolidos após a expropriação de 1834 com vista a aproveitar o seu material de construção, o convento de santa Clara-a-velha foi demolido devido às águas paradas que se encontravam no seu interior e que podiam ser fonte de doenças. Como o entulho resultante dessa demolição foi usado para soterrar o local, ainda lá permanecia quando o local começou a ser escavado em 1992, e está hoje depositado debaixo do novo edifício do museu.




Os arrendatários trataram de subdividir o espaço interior, adaptando-o a habitação e curral de animais. Em 1835 a igreja e o terreno do mosteiro passaram a ser propriedade de uma família nobre, através da compra efectuada por António Maria Osório. Foi só a partir de 1925, momento em que a igreja foi arrendada pelo Estado à família de D. Miguel de Alarcão, que se iniciaram os primeiros trabalhos de limpeza e restauro levados a cabo pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Esta operação, realizada fundamentalmente entre 1928 e 1948, pretendeu basicamente proceder à remoção das estruturas que “mascaravam” o monumento e reconstituir todos os elementos possíveis, ou seja, restituí-lo à sua configuração primitiva e evidenciar a  sua pureza original. 

O restauro efetuado durante o Estado Novo tornou o convento numa ruína romântica, visto ter sido escavada a nave, pelo que a água enchia agora novamente o espaço, tal como acontecia antes de ser abandonado pelas freiras.


Na foto de cima, podemos ver que o acesso se passou a fazer por uma janela, devido à porta ter regressado à sua configuração ocular original. Como o restauro do século XXI mexeu pouco na igreja propriamente dita, a janela nunca foi reconstruída, apesar de já não ser usada como entrada.




No entanto, em 1972 a igreja encontrava-se novamente coberta de vegetação.


Comprado pelo Estado em 1976, o edifício apenas saiu do esquecimento e do seu estado agónico quando, em 1989, o Instituto Português do Património Cultural (IPPC) lançou um concurso de ideias destinado à “Valorização da Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a- -Velha de Coimbra”. O concurso foi ganho pelos arquitectos João Rapagão e César Fernandes, com base num programa elaborado pelo IPPAR.  A água, elemento dominante, permaneceria envolvendo o monumento. Devido à sua transparência tornar-se-ia possível visionar os níveis inferiores. A execução deste projecto não se veio a concretizar, face ao desenvolvimento da operação arqueológica entretanto desencadeada, a qual ao permitir a exumação de importantes testemunhos relativos à história deste conjunto monástico se tornou incompatível, no domínio da investigação e da preservação, com a empreitada prevista. 

E assim, a 18 de abril de 2009, quando o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha voltou a abrir portas, tinha o primitivo claustro para mostrar.