Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2015

Cidade romana de Collippo

Vou iniciar uma rubrica chamada Correio dos Leitores , onde exponho uma criteriosa seleção das centenas de missivas que recebo diariamente no meu correio. "Eng., sabe qual é o paradeiro da antiga cidade de Collippo? É que já dei cabo das costas a tentar encontrá-la e até agora só descobri um tomo da Enciclopédia Luso-Brasileira, que, por muito lúdico que seja, deduzo não estar relacionado com a imponente povoação romana." A resposta a esta pergunta não é óbvia, e exige uma leitura atenta do artigo "Collipo: análise dos espaços públicos" , de João Pedro Bernardes, e presente no livro "Cidade e foro na Lusitânia Romana". Na descrição pliniana dos oppida da faixa litoral portuguesa aparece Collippo, como um povoado túrdulo, a sul de Conimbriga. O radical –ippo do topónimo latino parece confirmar este povoado como um dos turdulorum oppida fora da sua área natural (villar, 1999) e que poderá ter as suas origens aquando da migração de populações provocada ...

Castelo de Montemor-o-Velho

Imagem
Desta vez, devido ao parco arquivo da DGEMN deste monumento, não posso apresentar as modificações introduzidas entre os anos 30 e 40 do século passado neste castelo. Mas não é grave, visto que ainda sobra muito assunto. Pelo menos não fomos impedidos de chegar ao castelo, não podendo dizer o mesmo um casal de idosos que estava à nossa frente. Isto porque apesar de haver uma aparatosa escada rolante com vários lanços encosta acima, estava desligada, visto termos o azar de nos deslocarmos a esta povoação numa altura não eleitoral. Mas o esforço compensou, e lá em cima somos confrontados com a Igreja de Santo António, cuja demolição foi planeada por altura do restauro do castelo, mas não passou da remoção do recheio e do telhado. [ 1 ] Mais à frente, encontra-se a Igreja de Santa Madalena, que já existia no século XIII e tem uma torre sineira manuelina. Dentro do castelo, existe a Igreja de Santa Maria da Alcáçova, que foi edificada em 1090, época da qual só rest...

Castelo de Pombal

Imagem
Não se poderá negar que no restauro dos nossos castelos medievais não se tenha empregado um critério bem romântico, como que preparando-os para resistir a novos e romanescos ataques da mourama ou dos castelhanos ... Adriano Gusmão, 1949 O Castelo de Pombal antes do nosso ataque sofreu o das tropas napoleónicas, que o devastou, e da DGEMN, que o reconstruiu com os seus canônes bem definidos daquilo que é o castelo perfeito para ensinar à garotada: Reparemos no pormenor com que a DGEMN recuperou a sala com os arcos com base nos elementos de cantaria que encontrou. Uma das melhores obras quinhentistas do século XX. Recentemente houve mais adições, que incluiram um caixote no topo da torre de menagem e outro a meio: Mas ideias nunca faltaram, e aqui fica a proposta de uma estalagem, algures no século passado:

Castelo de São Jorge

Imagem
O Castelo de São Jorge foi objeto do mais ousado projeto de restauro já alguma vez feito em Portugal, pelo que vale a pena ficar com as imagens do Sistema de Informação para o Património Arquitectónico [ 1 ] e do texto de António Miguel Godinho da Cruz [ 2 ] Historicamente “nos primeiros anos de actividade os princípios norteadores das iniciativas da DGEMN junto dos monumentos nacionais, tal como no período antecedente, pautaram-se por uma reintegração arquitectónica, com base na pureza de estilo, sacrificando elementos de outras épocas, que eram considerados como atentados estéticos à harmonização dos edifícios” (Neto, 2001, p.236). De facto a intervenção no Castelo de S. Jorge não se afastaria totalmente dessa premissa, pois a DGEMN optaria por construir novas estruturas, erguendo novas muralhas, destruindo casas, isolando torres e colocando ameias exaustivamente “com o fim de restituir ao Castelo de S. Jorge, senão a verdadeira fisionomia primitiva, a unidade, a grandeza e os m...